Arquivo parasetembro 4, 2007

Mãos que geram renda

A APSA – Artesãos de Porto de Sauípe Associados reúne 54 mulheres artesãs do
Litoral Norte de Salvador, que fabricam bolsas, chapéus, tapetes, almofadas e outras peças com palha de piaçava recolhida na região. Fundada em 1997 e legalmente reconhecida a APSA nasceu da necessidade de desenvolver, organizar e promover o artesanato local, para defender sua função tradicional de complemento da renda familiar e seu valor cultural. Assim, encontraram soluções para geração de renda a partir da pequena produção autônoma que recebe apoio UNIFACS, CAPINA, SEBRAE e CESE.
  Para Maria Joelma Bispo Silva, 36 anos, Presidente da APSA, o apoio de ONG’s como a CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviços ocorreu num momento crucial da consolidação da entidade, possibilitando a ampla divulgação do trabalho das artesãs. “Daí, surgiram muitos clientes. Antigamente, quando entrava um ônibus no povoado, a gente corria atrás para tentar vender nossos produtos. Agora não. Vem gente de todo o País. A gente agora tem nosso dinheirinho e pode comprar sabendo como vai pagar ”, afirma Maria Joelma.
 As mudanças ocorridas recentemente, no litoral norte da Bahia, e mais especificamente no perímetro da APA Litoral norte, se de um lado estão criando condições para a futura modernização e diversificação da estrutura produtiva da região, de outro têm abalado profundamente as economias locais, consolidadas secularmente sobre o desenvolvimento de atividades tradicionais, como o artesanato e a pesca, com fortes impactos sobre as condições e qualidade de vida das populações residentes.O artesanato de Porto de Sauípe tem uma importância significativa na economia local. Esta prática garante a sobrevivência de muitas famílias, principalmente no período do inverno, quando as condições climáticas interferem na produção pesqueira e rural. Assim a atividade que é principalmente feminina, passada através de gerações de maneira espontânea, reflete na vida do povoado que, além disso, é capaz de representar plenamente um papel educativo, de formação ética e cultural, por propiciar a convivência e a solidariedade entre grupos de mulheres, como forma de respeito à comunidade e exercício da cidadania que por meio de um valioso trançado, mobilizando-se em grupos, desde a coleta da matéria prima, em lugares afastados e isolados, até a secagem, tingimento, o desfiamento da palha e o trançado, chegando à costura final. Com isso, percebe-se, dentro desta realidade, a importância do papel da mulher na organização de vida desta comunidade.
 

Sites relacionados: Programa Berimbau

O saudoso e efervescente Beco dos artistas

O Beco dos Artistas, localizado no bairro Garcia que já foi ponto de encontro de intelectuais, estudantes e artistas, hoje é taxado por muitos como um gueto. Eduardo Souza, proprietário há dois anos do bar Academia da Cerveja é um gay assumido, e diz que não concorda com o fato do Beco ter o desígnio de “reduto homossexual” e que a sua história lhe fascina: “tudo começou quando D. Xica, uma das mais antigas moradoras, começou a comercializar uma cachacinha feita de infusões preparada por ela mesma”. A partir daí as pessoas freqüentavam o Beco em busca daquela cachaça que já começava a ficar famosa.
O artista plástico Moaba freqüentador do Beco desde a época de Dona Xica, fala que em sua casa, além da cachaça, ela vendia frutas e legumes. “Sentava-se à porta da quitanda como uma Deusa: negra, com um lenço na cabeça, mascando folha de fumo, nos olhava como quem penetra alma”, relembra o artista emocionado, afirmando ter sido uma das melhores épocas da sua vida.
A Travessa Cerqueira Lima passou a ser conhecida como Beco dos artistas quando o corpo de teatro do TCA (Teatro Castro Alves) seguia para lá após seus espetáculos a fim de comemorar suas apresentações e fazer projetos futuros regados à cachaça de D. Xica. “Aqui nós comemorávamos, imaginávamos, e projetávamos espetáculos”, conta Moaba. Além dos atores do TCA, artistas de renome como Caetano Veloso, Regina Dourado, Gal Costa e Vera Verão freqüentaram o Beco.
Depois do ponta-pé inicial de D. Xica, foi criada uma intenção de comércio a cerca do Beco, e assim foram abertos vários e pequeninos bares aconchegantes, onde os freqüentadores e até os próprios moradores se sentiam bem a vontade , afinal lá nunca deixou de ser um Beco residencial.
Só que com o passar dos anos e com os novos proprietários dos bares, o Beco foi perdendo aquele encanto inicial que fascinava a tantos. Eduardo Souza acredita que o público passou a ser 85% GLS, com o surgimento do Green Bar, que hoje é o maior e o mais freqüentado. As opções para o público GLS ainda são poucas em Salvador e esse lugar proporciona a eles várias opções de entretenimento, utilizando como recurso: dvd, sinuca, internet e etc. Agora os antigos freqüentadores e moradores já não se sentem mais a vontade nos bares do Beco, pois se dizem discriminados pela “galera” que tomou conta do lugar.

O Beco dos artistas ainda apareçe na lista de guia de bares bacanas da cidade. 

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.